Saturday, May 12, 2007

Actualidades II.20. Aumento do Indicador Alunos/Docente e a Deterioração da Eficiência do Ensino.

… um … aumento … do [indicador] alunos/docente (a denotar empobrecimento … do esquema de enquadramento pedagógico dos estudantes) … (p. 150).

… as graves deficiências … quanto ao esquema de enquadramento pedagógico dos seus alunos, têm sido ultimamente denunciadas com vivacidade e devem, provavelmente, ser incluídas entre as circunstâncias que mais contribuíram para as profundas «perturbações» que as têm vindo a afectar. (p. 153).

… exprimindo uma «aspiração» ou, porventura melhor, um nem sempre consciente sentimento de falta de uma comunicação directa, bilateral e personalizada com aqueles que se acham investidos em funções de ensino. (p. 156).

… o tipo de relação pedagógica predominante nas Universidades portuguesas não se caracteriza pela proximidade e bilateralidade de comunicação, à qual os estudantes aspiram ou de que, no fundo, sentem a carência. De outro modo, não poderia compreender-se que, perante dificulades suscitadas na recepção e no entendimento da «informação» que lhes é dirigida, os estudantes não busquem geralmente, para as vencer, aqueles mesmos que a emitem e lha dirigem. (p. 157).

… somos levados a reconhecer que, no interior do sistema universitário português, se verifica um pronunciado bloqueamento (ou, se preferirmos, um hiato) na comunicação entre discentes e docentes – bloqueamento (ou hiato) que … dificulta e reduz, primariamente, a comunicação no sentido «ascendente» (ou seja: dos alunos para os professores), não podendo, todavia, deixar de limitar igualmente a eficácia da comunicação no sentido «descendente» (quer dizer: dos professores para os alunos). (p. 157).

… «a informação – conforme faz notar Louis Couffignal – é sempre transmitida entre um emissor e um receptor, que têm de manter-se sintonizados. … quando a permuta de informação se passa entre [pessoas], o que está em causa é uma transmissão de semânticas, mediante suportes adequados. … na transmissão entre mentalidades humanas, é o emissor que tem de sintonizar-se com o receptor». Em termos de pedagogia, isto significa que a eficiência do ensino será tanto maior quanto mais os docentes e os discentes, mutuamente e a par e passo, «se sintonizem» - o que, como é óbvio, pressupõe que aos primeiros seja possível, não somente a «escuta» e a «captação» fiel das dificuldades com que os alunos se defrontam, como outrossim a introdução das «operações correctivas» (repetições, revisões, debates, formas diferentes de exprimir as mesmas ideias, novos métodos de ensino) que, precisamente, sejam susceptíveis de conduzir a uma melhor «sintonização». Porém, os professores não podem «escutar» e «captar», dos estudantes, senão as «mensagens» que estes lhes transmitem. Donde a alta probabilidade de, havendo hiato na comunicação «ascendente» (e dado que, por hipótese, não são idênticas as «mentalidades» dos professores e dos alunos), se verificar cerceamento na produtividade pedagógica do ensino. (p. 157 – 158).

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