Saturday, November 17, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados IV

A haver alguma estratégia, o que consistia logo à partida a dar demasiado crédito à voz do dono, não seria, por certo, muito inovadora. A inovação não estava lá. Nem sequer o plano tecnológico. Tratar-se-ia, eventualmente, de assegurar o recipiente para o caldinho, deitar umas achas na fogueira, ajustar algum deve e haver e encher a pedra da lareira com fotografias tiradas com os famosos para mostrar às visitas.

A teoria da conspiração baseava-se numa antiga paixoneta, cuja beleza só está nos olhos de quem a vê. Querendo vê-la sempre em primeiro lugar, recorre-se a toda a espécie de estratagemas para o conseguir, quase sempre com resultados desastrosos. Um pedido, um queixume é logo atendido. Quando as contas saem furadas, baralha-se e volta-se a dar. Não é acreditada primeiro: repita-se a operação. Não ficou em primeiro na avaliação: essa não vale e há que fazer outra.

Friday, November 16, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados V

Se é ela que produz o maior número de desempregados do ramo, foi um tiro no pé a que se tem que dar a volta. Faz-me uma manobra de diversão e toca de fazer tabelas e gráficos «ajustados à realidade». Pode ser. Mas, como disse Lincoln, é possível enganar toda a gente durante algum tempo e alguma gente todo o tempo, o que não é possível é enganar toda a gente o tempo todo. A marosca vai entrar pelo olho do técnico como quilowatt de comboio eléctrico.

Thursday, November 15, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados VI

Tudo treta. Reunidos os suspeitos do costume, foram depois gentilmente questionados pelas várias forças da insegurança. O relatório da secreta saiu com data de Setembro, para não dar muito nas vistas. A notícia apareceu num diário em Novembro, para distrair as atenções do pessoal. Escreveu-se uma carta para um «blog». O Minhoto da Beira é que não estava a dormir e topou tudo. É assim. Em 21 de Setembro de 2004 foi lançado o novo portal do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), com uma nova imagem, organização e diversidade de conteúdos e serviços, por uma entidade e valor ainda desconhecidos. Como se esse não bastasse, a 28 de Junho de 2006, é apresentado outro portal. Sobre quem fez e quanto custou é que nada (por enquanto), mas de grande utilidade prática (ver no final do texto da ligação). O primeiro portal apresenta uma Política de Privacidade e Termos de Utilização e, o segundo, uma página sobre Privacidade e Termos de Utilização, cuja leitura atenta se recomenda.

Wednesday, November 14, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados VII

Pois nesta terra esquecida, como se não bastasse estar-se desempregado, subempregado ou simplesmente insatisfeito com o emprego actual, tem-se a nossa ficha disponível, para quem a queira consultar, da qual constam os seguintes elementos: Nome, Nacionalidade, Data de Nascimento, Sexo, Habilitações Escolares, Área Formação Escolar, Ano de Conclusão dos Estudos, Classificação Final, Estabelecimento de Ensino, Endereço, Localidade, Código Postal, Freguesia, Concelho, Telefone, Telemóvel, Email, Empresas onde Trabalhou, Data Início, Data Fim, Observações, Formação Profissional, Área de Formação, Entidade, Tempo do Curso (horas), Situação Actual, Pretende trabalhar a tempo, Disponibilidade para viajar, Regiões onde pretende trabalhar, Conhecimentos Linguísticos, Idioma, Oralidade, Escrita, Leitura. E ainda se está empregado, mas pretende mudar de emprego.

Como já foi alvitrado, noutro local, só falta publicar as fotos e as impressões digitais dos infelizes. Com as fotos consolidava-se uma posição de destaque no mercado dos portais alcoviteiros. As impressões digitais podem ser, interinamente, substituídas pelo uso de braçadeiras, outrora tão na moda. Vermelhas para os doutores, laranja para os mestres, amarelas para os licenciados (ambas com um B a azul para os Bolonheses), brancas para os bacharéis, azuis para os secundários, verdes para o 9.º, roxas para a 4.ª classe e rosa para quem souber ler escrever. Os analfabetos, de facto ou de jure (ainda em grande número), não têm direito a braçadeira.

Tuesday, November 13, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados VIII

Pense nas possibilidades. Qualquer predador pode usar todo aquele manancial de informação (são mais de 500 mil pessoas) para abusar, chantagear, corromper, extorquir, forjar, perseguir, roubar, roubar a identidade, vigarizar e/ou violar a seu bel-prazer.

Imagine o dilema. À procura do primeiro emprego, de outro emprego ou sem emprego e a pensar em ir inscrever-se num centro de emprego, sabendo que, momentos depois, qualquer pessoa, em qualquer ponto do mundo, com acesso à Internet, vai poder ler, copiar, imprimir, arquivar, processar tudo o que ficou registado.

Que fazer? Não ir ao centro de emprego? Suportar, para além da necessidade de emprego e/ou do subsídio de desemprego, para continuar a viver condignamente, o opróbrio de se ver exposto na praça pública? Arriscar perder o emprego actual, quando o empregador actual souber que está à procura de outro emprego? Procurar os serviços de entidades que respeitem a confidencialidade dos dados fornecidos? Que alternativa há, para receber o subsídio de desemprego?

Algo não está bem nesta fotografia. Mesmo sem recorrer à legislação, parece-me óbvio que se passa alguma coisa profundamente errada. Quando é que a abominável prática acima descrita vai acabar? Quem a vai fazer parar? Como? Que papel podem ter os outros órgãos de soberania, neste processo? O que vão fazer as comissões de tudo, nada e coisa nenhuma? Quem vai fazer juntar os irresponsáveis por toda esta trapalhada às fileiras dos desempregados?

Monday, November 12, 2007

O Mistério dos Licenciados Desempregados IX

Como já se referiu, anteriormente, não se sabe quem desenvolveu os portais tão ofensivos para a dignidade de mais de meio milhão de Portugueses em situação laboral difícil, ou ainda pior, sem situação laboral alguma. No mínimo os portais do IEFP estão a por em risco a integridade de todos esses Portugueses e Portuguesas. Um grupo fragilizado que dificilmente se saberá defender por si só, individual ou colectivamente.

Acima dos executantes estão quem tem estado à frente deste estado de coisas, confortavelmente, tal como peixes na água.

O IEFP é presidido por Francisco Caneira Madelino, nascido a 15 de Fevereiro de 1963, licenciado em economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), assistente do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).


O IEFP é um organismo público, sob a tutela do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS). O Ministro é José António Fonseca Vieira da Silva, nascido a 14 de Fevereiro de 1953, licenciado em economia pelo ISEG da UTL, assistente convidado do ISCTE.


O Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional é Fernando Medina Maciel Almeida Correia, nascido a 10 de Março de 1973, licenciado em economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto e mestrado em Sociologia Económica no ISEG da UTL.

Ao Presidente do Conselho, ficam-lhe as responsabilidades políticas inerentes, que, nestas circunstâncias, só podem ser tomar o remédio e ir cair longe.

Quanto àquele telefonema que estão a pensar fazer para que também tenha que ir preencher a minha ficha, não desanimem: podem ir andando para o fim da fila. Há quem esteja à espera dessa oportunidade há muito mais tempo.

Monday, November 05, 2007

Celebrity Big Brother III

Oprah Calls Abuse Charges at South Africa School 'Devastating'; Accused Matron Freed on Bail
Monday, November 05, 2007

Oprah Winfrey: Abuse Scandal 'Most Devastating Experience of My Life'
MONDAY NOVEMBER 05, 2007 07:30 AM EST
MONDAY NOVEMBER 05, 2007 09:30 AM EST UPDATED
By Stephanie Hanes

Employee of Oprah's South African girls school arrested
Last Updated: Friday, November 2, 2007 | 4:38 PM ET

Oprah Winfrey Calls for Justice in Abuse Case
FRIDAY NOVEMBER 02, 2007 03:35 PM EDT
By Stephen M. Silverman

Ex Oprah School Employee Arrested on Abuse Charge
FRIDAY NOVEMBER 02, 2007 07:55 AM EDT
FRIDAY NOVEMBER 02, 2007 11:45 AM EDT UPDATED
By Stephen M. Silverman

South Africa probes abuse allegations at Oprah school
By Bate Felix Wed Oct 31, 10:26 AM ET

Gayle King Calls Oprah's School Abuse Allegations 'Heart Wrenching'
TUESDAY OCTOBER 30, 2007 08:15 AM EDT
By Jeffrey Slonim and Kate Stroup

Oprah Apologizes to Families at African School
MONDAY OCTOBER 29, 2007 09:55 AM EDT
By Caris Davis

Tearful Oprah begs forgiveness
28/10/2007 23:01 - (SA)
Gavin Prins, Rapport

US team probes Oprah's school
25/10/2007 12:39 - (SA)
Verashni Pillay

Abuse at Oprah school probed
23/10/2007 16:42 - (SA)

Oprah's school in scandal
21/10/2007 20:20 - (SA)
Gavin Prins, Rapport

Drama at Oprah's SA school
17/10/2007 23:15 - (SA)

Oprah defends school rules
15/05/2007 10:18 - (SA)
Charles Smith, Beeld

Oprah girls quit over Afrikaans
06/05/2007 21:19 - (SA)
Gavin Prins, Rapport

Oprah Opens Another South African School
FRIDAY MARCH 16, 2007 01:25 PM EDT
By Stephen M. Silverman

Oprah opens second SA school
16/03/2007 16:37 - (SA)

Oprah's school 'too strict'
11/03/2007 18:39 - (SA)
Gavin Prins, Rapport



Previous posts:

Celebrity Big Brother II

Celebrity Big Brother I

Friday, October 26, 2007

Wisdom

THE KNOWLEDGE REVOLUTION
Why Victory Will Go to the Smartest Nations & Companies


Nations that learn faster will prosper. But it will take something else – wisdom – to endure.

ZAKARIA, Fareed – The Earth's Learning Curve. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 7
 

Thursday, October 25, 2007

Knowledge

Knowledge can produce equally powerful ways to destroy life, intentionally and unintentionally. It can produce hate and seek destruction. Knowledge does not by itself bring any answer to the ancient Greek question “What is a Good Life?” It does not produce good sense, courage, generosity and tolerance. And most crucially, it does not produce the farsightedness that will allow us to live together – and grow together – on this world without causing war, chaos and catastrophe. For that we need wisdom.

ZAKARIA, Fareed – The Earth's Learning Curve. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 8

Wednesday, October 24, 2007

Science and Engineering

Now science and engineering, which first helped to advance the Industrial Revolution, have become critical in advancing the services revolution. Services such as supply-chain management represent an increasing proportion of business revenues in the developed world, and “need more science and engineering” in how they are designed, built and deployed ... “Otherwise, their complexity and costs will be a major impediment to progress.”

FRIEDMAN, Thomas L. - The Exhausting Race for Ideas. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 11

Tuesday, October 23, 2007

Flat World

It is no surprise, therefore, that those societies with the most innovative scientists, universities, engineers and technology companies able to solve complex problems … have enjoyed rising standards of living over those societies without them. What I call the “flattening” of the world – the fact that more people from more places have more tools to compete, connect and collaborate than ever before – is only accelerating this, for several reasons.

The first has to do with the fall of the wall and the rise of Windows.

FRIEDMAN, Thomas L. - The Exhausting Race for Ideas. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 11

Monday, October 22, 2007

Race for IQs

This has made knowledge so much more valuable for individuals, and helped transform the global power game from one that was mainly about the race for ICBMs into one that is more about a race for IQs. The more knowledge workers your country has who are able to author their own content and innovations in digital form, the more productive your economy and, therefore, the more powerful your country.

FRIEDMAN, Thomas L. - The Exhausting Race for Ideas. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 11

Sunday, October 21, 2007

Best

Given the ease with which capital can move to the smartest, most efficient, most reliable work force, having more skilled and capable workers than the next country becomes essential for attracting and holding the best jobs for the longest time.

FRIEDMAN, Thomas L. - The Exhausting Race for Ideas. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 12

Saturday, October 20, 2007

Working Smarter

Working smarter and smarter rather than working cheaper and harder is really the only strategy for a developed society to compete with a low-wage juggernaut … Why? Because we need our workers to leverage technology so that one person can do the work of 20 rather than have 20 cheap laborers do the work of one.

FRIEDMAN, Thomas L. - The Exhausting Race for Ideas. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 12

Friday, October 19, 2007

Talent

Creative-sector occupations – in science and technology, art and design, culture and entertainment – have grown since 1980 from 12 percent of the work force to between 30 and 40 percent in most advanced countries today. This makes talent the fundamental factor of production, and attracting such talent the central battle in global competition.

FLORIDA, Richard - Minds on the Move. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 14

Thursday, October 18, 2007

Thrive

To thrive … , nations must bring out the best from all workers, not just a select elite. They must have respect for the rule of law and intellectual property rights, and encourage risk taking and innovation in flat organizations and informal communities, which can share knowledge without unnecessary delay or filters, unhindered by rigid hierarchy or political correctness.

LEE Hsien Loong - The Singapore Way. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 32

Wednesday, October 17, 2007

Thinking Hands

We must move beyond gathering and managing knowledge to emphasize creating our own knowledge. We are doubling our R&D investments over the next five years. The government will provide the initial push in terms of funding, manpower training and capability building. But the purpose is to jump-start private-sector R&D efforts that will ultimately yield economic dividends. Our public libraries epitomize the way technology helps every citizen to access and exploit information. Users can reserve books, videos or Cds from anywhere in the system, even over the Internet, and return them anywhere convenient. Every item is tagged and tracked with a radio-frequency identification chip, and IT makes it all work. There will be no barrier to knowledge, information and lifelong learning.

Our universities maintain open access, but rigorous academic standards; our polytechnics impart professional expertise through a practice-based curriculum, and our Institute of Technical Education equips students with hands-on technical skills and critical thinking habits. We are also investing heavily in upgrading the skills of the work force, keeping older workers current and employable. On an intelligent island, every pair of hands has to be a pair of thinking hands. None should be mere hewers of wood or drawers of water.

Globalization will force nations to reallocate resources, restructure their economies and reorient their societies for the future. Singaporeans accept this as a given. We are remaking ourselves into a key node in the global knowledge network, securing our place under the sun (Lee, p. 32).

LEE Hsien Loong - The Singapore Way. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 32

Tuesday, October 16, 2007

Suitable for Employment

Of the [China] mainland’s 1.6 million young engineers, so many are biased toward theory, with little hands on-project experience, that only one tenth of them are considered suitable for employment in multinational companies, according to McKinsey & Co. consulting.

Liu, Melinda - How High?. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 34

Monday, October 15, 2007

Sharing

The new work paradigm – sharing, rather than protecting, trade secrets – is quickly becoming the way forward.

Foroohar, Rana - Learning to Share. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 40

Sunday, October 14, 2007

Networks

… economics itself is changing; Thomas Schelling was given this year’s Nobel Prize, in part, for showing that people tend to cooperate a lot more than traditional, rational economic models say they will. In an upcoming book entitled “The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom,” Yale professor Yochai Benkler sees a fundamental break with the past, when people worked in one of two ways: under the orders of managers in big organizations or for themselves, following market cues. Now, says Benkler, “we’re seeing the emergence of a new, third mode of production,” which he calls “the new networked information economy.”

Foroohar, Rana - Learning to Share. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 41

Saturday, October 13, 2007

Services vs. Patents

IBM earns more on Linux services, than it does from its entire patent portfolio.

Foroohar, Rana - Learning to Share. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 42

Friday, October 12, 2007

Open-Source

This economic flattening doesn't stop at the corporate world. It's no accident that the Scandinavian countries at the top of the World Economic Forum's "most competitive" list are those that use open-source principles in government. Finland and Denmark, for example, save hundreds of millions of euros a year by emplying open-source systems for jobs like bidding on government contracts. Thailand is moving toward open source after it found that coordination between government agencies and NGOs was hindered during tsunami relief because each group was working on separate computer systems.

This goes beyond code to issues of social and economic inclusion. In the United Kingdom, New Labor has for several years been pushing "joined-up" government as a way of solving the complex problems of the day. Geoff Mulgan, the prime minister's former head of policy, envisions a day soon in which citizens will participate in parliamentary processes online, perhaps even helping to draft legislation.

The ramifications of knowledge sharing are even greater for developing nations. Countries like Brazil, India, South Africa and China opt for open source, in part, because they don't want to run their armies, and everything else, on software made in Redmond, Washington. "By allowing countries to feel more like participants in the commercial process, rather than just customers, it produces a more self-confident society," says Charles Nesson, head of Harvard's Berkman Center for Internet & Society. "That, in turn, produces a more secure global environment."

Foroohar, Rana - Learning to Share. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 42

Thursday, October 11, 2007

Real Power

As economic models of selfishness and competition evolve under pressure from the open-source philosophy, a new "science of happiness" has sprung up to analyze what – beyond monetary rewards for specific tasks – really satisfies us. One of the answers, it seems, is connection to others, and an important role in shapping our own world. If that sounds softheaded, consider the backlash. Sharing knowledge is a serious threat to the status quo. China is forcing Internet companies to turn over digital information on dissents. Hollywood and the music industry are pushing for tougher patent and copyright laws. The bottom line is something that Smith would not dispute: groups have greater stores of knowledge than individuals. And knowledge is power. Not soft power. Real power.

Foroohar, Rana - Learning to Share. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 42

Wednesday, October 10, 2007

Flow of Knowledge

Blocking the free flow of knowledge, paradoxically, exacerbates the excess supply, diminishes human welfare and puts us on the road to economic extinction.

Quah, Danny - Knowledge Glut. In «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p. 43

Tuesday, October 09, 2007

Knowledge Workers

1) Hire by committee
2) Cater to their every need
3) Pack them in
4) Make coordination easy
5) Eat your own dog food
6) Encourage creativity
7) Strive to reach consensus
8) Don't be evil
9) Data drive decisions
10) Communicate effectively

Versão integral do artigo

SCHMIDT, Eric; VARIAN, Hal – Google: Ten Golden Rules, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 48, 52 – 53.

Monday, October 08, 2007

Information Puzzle

PALMISANO, Sam - The Information Puzzle, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 62 – 63

Sunday, October 07, 2007

Stealth

Let’s locate the greatest vulnerability of the “knowledge economy.” Easy. It’s ignorance. In a globalized and digitized world, we are awash in what might be called “microknowledge”: data bases, music downloads and financial transactions, eBay’s annual listings are now approaching 2 billion, almost five times the level in 2001. Half are outside the United States; from 12 percent to 15 percent of final sales involve cross-border purchases. But then there’s “macroknowledge,” meaning the great forces that move history: the impact of new ideas, mass movements and technologies; changes in political and social systems; the evolution of geopolitical relations; the transformation of cultures. Here we are where we’ve always been: we’re in the dark.

Samuelson, Robert J. - The Stealth Factor, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 74 – 75.

Saturday, October 06, 2007

Knowledge Asymmetry

The connection between education and social and upward mobility has never been more stark for the Indian people. There are countless examples of families sacrificing on basic necessities to ensure that their children get the right education. Demand for English classes, from the first grade on up, is booming. But primary education remains the bane of India. For Indians older than 6, the national mean for years of schooling is three. In neighboring Sri Lanka it is 7.5. There is now a huge drive to ensure that basic education is made accessible to every Indian child. India’s youthful demographics should be a competitive advantage, but it will be wasted without broader access to primary education.

The final frontier of the rise of Indian education is in governance. India has the benefit of being a free society. The diversity of opinion, the traditional adherence to representational democracy and a vigorous free media help ensure that there is healthy debate, with checks on the abuse of power and corruption. Yet there are still those who yearn for a harder regime, with less debate about development strategies and more action. And there is still too much government secrecy and corruption. The solution to this conundrum is to marry all the strengths of India – its highly educated and globally aware talent, its democratic traditions and the power of modern information technology. If this is done to ensure that the knowledge asymmetry between the ruler and the ruled is eliminated by exposing the innards of government functioning to the people, then the holy grail of a society that both is free and can rapidly eliminate poverty will be achieved.

India could even be a model for nations seeking to go from developing to developed status on the strengths of its education and its knowledge economy.

Nilekani, Nandan - Poor and Mighty, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 93.

Friday, October 05, 2007

Unemployable

Yes, India is rising fast as a tech power and turning out 280,000 engineers a year, but according to various analysts, as few as one in 25 is ready for international competition.

...

Today that are an estimated 5,3 million university graduates in India who are unemployed, having been left behind by the increasing rigorous demands of the tech-driven economy. While India’s top universities - such as it seven Indian Institutes of Technology (IITs) and a few other elite institutions – turn out world-class graduates, fewer than 1 percent of India’s 3 million annual grads attend those schools. “There is a need to make India’s institutions of high education and research world-class,” said Indian Prime Minister Mammohan Singh last August as he launched a Knowledge Commission to advise him on how to fix the broken universities.

For all the hype about India’s rise as an Information Age power, its higher-education system is largely antiquated and grossly underfunded. Not a single Indian University is among the top 10 in Asia, let alone the world, according to the National Association of Software and Service Companies, an umbrella organization for India’s $5 billion outsourcing industry, which scrambles to fill the 150,000 new jobs it creates each year. “The graduates you see on the outside, in places like Silicon Valley, are the cherry on the cake,” says Shekhar Gupta, CEO of Indian Express Newspapers, “but underneath the cake is largely rotten.”

For starters, there are not enough Indians attending universities. While 82 percent of college-age youth in America attend a university, only 7 percent (a total of 10 million) do in India. For India to become a “global power” in the next decade says Sam Pitroda, the Knowledge Commission’s chairman, it needs to begin attending to its vast underclass and send 25 percent of its youth to universities - good universities. “We eventually need 70, not just seven IITs,” he says.

The rub is money. India spends only 3 percent of its budget on education - compared with 17 percent spent on defense - and less than one third of that goes to its 342 public universities and their 17,000 affiliated colleges. Most Indian university students face overcrowded lecture halls and classrooms, dilapidated buildings and inadequate labs, computer banks and libraries. Many facilities and teaching practices date to colonial times when, Indian critics say, the British set up universities to turn out babus, or loyal clerks. To this day, critics say, there are way too many “soft” courses such as Sanskrit and philosophy. “The higher-education indication system is very much cut off from reality” and the needs of today’s labor market, says Father Ambrose Pinto, principal of Bangalore-based St. Joseph’s College

Besides the IITs, a few top universities do serve the job market well, marrying academic excellence to the needs of a rapidly modernizing India. At New Delhi’s Jawaharlal Nehru University, the first to set up a biotechnology center, many students major in interdisciplinary life sciences, international relations or economics and finance. But like all public universities - there are only a handful of the good private universities - JNU is wholly funded and largely governed by the central government’s University Grants Commission.

Because of India’s egalitarian outlook, the commission doles out its budget more or less equally to all 342 public universities, whether they are in expensive cities or remote Bihar. Faculty salaries start at a little more than $400 a month, including perks, and the rise to just over $1,000 for a full professor, whether one teaches Sanskrit or economics. A top graduate in economics can start at $2,000 in the private sector, so it is no wonder that senior faculty are fleeing for the business world. “Forget hiring new faculty for emerging academic fields like biotechnology,” says M. S. Thimmappa, vice chancellor of Bangalore University. “I don’t even have the funds to fill 150 teaching posts that have been vacant for years.”

All university students, regardless of their school or major, pay the same tuition of about $10 a year. Educational reformers argue that fees should be hiked for the wealthiest, but New Delhi has not heeded the call.

Already, educators and business leaders say that the quality of university graduates is in decline. According to the umbrella association for software and service companies, only about 10,000 of the 280,000 engineers who graduate annually, or just 4 percent, are of international caliber. A recent study by the McKinsey Global Institute rated 25 percent of Indian engineering grads as qualified for work in multinational companies, compared with 50 percent of Hungarian or Polish graduates. JNU vice chancellor B. B. Bhattacharya says the top 10 percent of Indian grads are world-class but the remaining 90 percent are “almost unemployable.”

Nor are private schools necessarily the answer. In 2003, Chhattisgarh state, with two public universities for a population of 21 million, passed a law allowing private universities. Over the next 18 months, more than 100 such schools opened for business, charging high fees. But many were run out of tenement apartments and of little educational value. Eventually the Supreme Court stepped in, shutting most of them down.

More funding is not likely. The government’s spending priorities are defense, popular subsidies and property programs. Bhattacharya can see one rosy budget scenario: Indian strikes a surprise simultaneous peace with China and Pakistan, freeing defense funds for higher education. That unlikely vision shows, says Bhattacharya, that plans for improving India’s universities are in the “dream stage.” That’s a pity, because without a topflight higher-education system catering to a wider swath of Indian youth, the county’s dreams of becoming a First World power one day may never be realized.

Moreau, Ron; Chatterjee, Sumeet - The Unemployable Masses, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 94-5.

Thursday, October 04, 2007

Classless

The international comparisons show clearly that performance variations between schools and between students tend to be greater in those countries that channel kids at an early age into different levels of programs and schools

The German school system, for example, divides kids at as young as ten years into vocational and academic tracks. Children of white-collar parents are four times more likely than blue-collar children to enroll in the university track - even if they do not perform any better. While Germany’s policymakers have been pursuing educational reforms on many fronts, they shied away from tackling these structural inequities. While some officials claim they need to wait for conclusive evidence of socioeconomic disparities that will take at least a decade to collect, kids are being left behind. Many other countries show similar patterns; France did not even bother to publish PISA’s evidence on social inequalities between schools.

Similar patterns are visible in higher education. Among the 30 members of the OECD, most are sending more people to college, but some are gaining faster than others. Since 1960 South Korea has tripled its number of graduates, as a share of population, and rose from 21st to 3rd in OECD rankings. Most of Europe’s major economies, including France, Italy and the United Kingdom, just held their ground or fell behind. Germany dropped from 14th to 23rd.

These gaps are likely to widen. Most continental European countries are not making the investment required to create more university openings. Average government spending per higher-education student in the European Union is less than half of that in the United States. And Europe still tends to block universities from charging tuition, on the ground that making people pay will hurt the disadvantaged. The truth is that the higher-education spending in Europe is very regressive now, with working-class children highly underrepresented. In France and Germany, only about one third of all secondary-school grads go on to higher education.

Access to universities is much broader in other wealthy regions. In Northern Europe more than two thirds of secondary-school grads now go on to higher education, the result of massive public spending. The United States and many English-speaking countries, as well as Japan and South Korea, have opened higher education to more students by making those able pay for part of the costs. But quality in education is not only a question of money. The United States and Italy are ranked 1st and 4th on spending per student until the age of 15, but only 26th and 24th in terms of the performance of 15-year-olds. In contrast, Finland and the Netherlands ranked 15th and 14th on spending but 1st and 3rd on mathematics performance.

Europe’s school system has yet to become a modern-knowledge industry, in the sense of one constantly transformed by the latest intelligence on best practices. There is, of course, a large body of research about learning, but much of it is unrelated to real life learning. Even the relevant research has an insufficient impact because education is dominated by local practitioners working in isolation and relying on folk wisdom about what works. Central direction, which still dominates European schools, needs to give way to teacher engagement in the search for what works.

Some argue that leaving schools greater discretion will lead to greater inequality. The evidence suggests otherwise: Finland, which has freed schools and teachers to create a “knowledge rich” environment, is not only the top performer overall, but test performance varies little from school to school. And some of the most centralized European systems, including Austria, Germany, France and Switzerland, display some of the largest performance differences between schools.

Educational outcomes matter. OECD studies show that the money and time individuals spend on university qualifications pay dividends that are larger than real interest rates, and often significantly so. Moreover, the earnings gap between the well educated and the rest is a growing in most OECD countries. Not least, improved education helps to raise labor productivity and technological progress. Among OECD nations, a one-year increase in the average education level of the population raises economic output by 3 to 6 percent. Widening access to education is a smart competitive move.

Schleicher, Andreas - A Classless Act, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 96-97.

Wednesday, October 03, 2007

Sputnik Was Nothing

How much longer will the United States be a superpower? Not much, if we do not wake up to the fact that our economic strength, which has underpinned our political and military might for two centuries, is decaying. In the 21st century, economic power will be derived from skills and innovation. Nations that don't invest in skills will weaken: it is that straightforward. And today the evidence of U.S. decline is even more urgent than the shocks that sent us scrambling after Sputnik in the late 1950s or during Japan's surge in the late 1980s.

America is no longer winning the skills race. South Korea, with one sixth of the U.S. population, graduates as many engineers as the United States. China graduates four times as many; India, five times as many. Just as more than half of America's current science and engineering work force is approaching retirement, the flow of foreign talent is starting to dry up. For the first time in my memory, we're at the wrong end of a brain drain, as foreign-born grads in science, technology and engineering either return home after getting U.S. degrees or stay home in the first place.

And we are not replenishing those losses from within. In international mathematics exams, 15-year-old American students performed well below the mean of participating countries. This is little surprise, since teaching out of one's field of expertise is common in the United States, especially in math and science. Nearly 70 percent of American middle-school students are assigned to teachers who have had neither a major nor certification in mathematics.

The United States needs a new strategy. We must start by improving teaching in public schools, where more than 85 percent of our schoolchildren are educated. If teaching remains a second-rate profession, America's economy will be driven by second-rate skills. The Teaching Commission, the bipartisan organization I founded, has articulated an agenda to re-create the teaching profession. Local boards and superintendents must pay teachers much more and reward performance with sensible market incentives, so we can attract the best and brightest.

Schools of education have for years been sleeping cash cows, which college presidents have refused to disturb. Teacher-training standards are too low. Curricula are focused too much on pedagogical theory and too little on subject content and pragmatic technique. The result: teacher-education programs are contributing to the problem of inadequate teacher quality. Governors must pressure college presidents to raise standards, redesign programs of study and launch universitywide efforts to get top graduates, especially those with math and science majors, to enter teaching.

We must clear away stifling bureaucracy. States need to streamline certification and licensing while raising professional standards. Localities need to free principals from onerous teacher work rules, so they can assemble teams and lead. Businesses must also play their part. A good model is the Transition to Teaching program announced recently by my former company, IBM, which will enable some of its most experienced employees to become fully accredited teachers.

A new national strategy doesn't stop at the schoolhouse door. There is also a powerful emerging consensus for action, perhaps best articulated in a recent report by the National Academy of Sciences. In order to preserve America's "strategic and economic security," the Academy says, the nation needs, among other things, to recruit 10,000 science and math teachers annually through merit-based scholarships, ramp up federal investment in basic research by 10 percent a year over the next seven years and offer new competitive grants for the study of math, science and engineering.

We should heed those calls and consider other bold strokes, including reinventing our federal departments of Labor and Education as an integrated, innovative Department of Skills—with a name and a mission that actually reflect the work that needs to be done. This is no time for complacency. Developing economies are surging and developed economies are slipping. Only a serious, swift and sweeping effort to close this gap will keep us healthy competitors.

Gerstner, Louis V. Jr. - Sputnik Was Nothing, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 98.

Tuesday, October 02, 2007

Serious

In the knowledge economy, what you know is more important than where you live. So how do we keep our edge? First, by giving every student a quality education from the start. Four years ago we launched the bipartisan No Child Left Behind Act. It promised higher classroom standards, more choices for parents and greater flexibility for states. Above all, it demanded accountability for results.

Our schools are delivering. Fourth- and eighth-grade math scores have risen to record highs, according to the "Nation's Report Card." Young African-American and Hispanic students have dramatically narrowed the "achievement gap." And among all 9-year-olds, more reading progress was made in the past five years than in the previous three decades. We're keeping our promise. Among older students, however, the world threatens to leave us behind.

The evidence is mounting and troubling. The United States has fallen to ninth in the world in high-school graduation rates among 25- to 34-year-olds. Studies show that less than half of those who do graduate are ready for college-level math and science. "The scientific and technical building blocks of our economic leadership are eroding at a time when many other nations are gathering strength," reports the respected National Academy of Sciences.

Thomas L. Friedman, author of "The World Is Flat," argues that other nations have learned to take advantage of innovations the United States pioneered. Sadly, in many respects, our education system has not taken advantage.

This is especially true of high schools, which Bill Gates calls "obsolete." Twelfth-grade exit exams usually measure ninth-and 10th-grade skills, leading colleges and employers to discount the results. Fewer than half the states require at least three years of math and science to graduate. Only one in five graduates in the work force says he or she was adequately challenged by coursework. It's no wonder high-school test scores have barely budged since the 1970s—or that states spend $220 million a year on remedial writing for public employees.

Our high schools deserve reform. The president and I want to provide states with the resources to measure student knowledge in core subjects annually, and to offer intensive reading instruction to students who badly need it. A high school diploma must be a ticket to success in college and the work force, which are increasingly connected in the knowledge economy. About 80 percent of the fastest-growing jobs will require some postsecondary education.

But at a time when we need to take higher education more seriously, much of the media and culture treat it as a lark. While helping my daughter prepare for her freshman year, I found plenty of guides on the best party schools and "Schools That Rock," but none on, say, the highest earnings after graduation.

Parents and students need better information—and so do policymakers. I have formed the Commission on the Future of Higher Education to address the vital issues of access, affordability, accountability and quality. Too often, families assume that they are priced out of the college market. And too often, policymakers assume that students are being equipped with the critical thinking skills needed to prosper in the knowledge economy. We must replace assumptions with data.

Preparing for the future is a moral and economic imperative. Last year China's schools graduated more than 600,000 engineers and India's schools produced 350,000, compared with 70,000 in America. Do the math: their top 10 percent outnumbers all of America's. Many firms may agree with Intel chairman Craig R. Barrett: "If the world's best engineers are produced in India or Singapore, that is where our companies will go."

Thanks to our schools, the 20th century was known as the American century. The 21st century is still up for grabs. We know what works—higher expectations, more choices and better data. It's time to make education in America a picture of reform.

Spellings, Margaret - Let’s Get Serious, in «Issues 2006», Nova Iorque: Newsweek, 2005, p 99.

Sunday, September 23, 2007

Mental Breakdown

Russian authorities are sending critics to psychiatric wards. Speaking out now seems evidence of madness.

Soviet doctors once joked that the best way to get thrown into a psychiatric hospital was to send a telegram to Leonid Bezhnev that was critical of the Russian leader. Now that old gallows humor might have to be resurrected. Doctors and Kremlin critics say over the past year at least 10 journalists, political activists or critics of local authorities have been wrongfully hospitalized in mental hospitals. And though forcible psychiatric treatment for political reasons is still rare, ... Russia's mental hospitals are routinely used by unscrupulous relatives and criminals to remove inconvenient family members ... But increasingly, it is critics of authority who find themselves sent off to state hospitals.
...
For old dissidents like Vladimir Bukovsky, who was forcibly committed to a psychiatric clinic in the 1960s, these stories bring back chilling memories. "Once you are admitted to a mental hospital, he says, "any attempt you make to criticize the system or treatment will be evaluated as a sign or even proof of insanity." In modern Russia, it seems, as in the Soviet Union, you'd almost have to be mad to speak out.

MATTHEWS, Owen; NEMTSOVA, Anna. «Mental Breakdown», Newsweek, CL (10), Set. 3, 2007.

Saturday, September 22, 2007

VI. Doutor Doom

O Doutor Doom (Joseph von Doom) é um personagem de ficção, um supervilão. A revista Brucho considera-o o quarto maior vilão de todos os tempos. Um cientista brilhante, Doom foi colega da Fe, uma das Quatro Fantásticas. Viria, no entanto, a amargurar por causa dos seus ciúmes da Fe e pelas suas características faciais, resultado de uma experiência que correu mal.

Doom é o arqui-inimigo das Quatro Fantásticas, mas também tem sido incluído nas galerias dos malfeitores do Castigador, Surfista Prateado, Capitão América, Garota Esquilo, Homem de Ferro e Homem-Aranha, entre outros. Doom também enfrenta vilões como o Magnético e o Veneno. É o arquétipo dos vilões, um dos mais conhecidos da banda desenhada. Como governante de uma pequena nação, goza de imunidade diplomática, característica rara entre os personagens das revistas de quadradinhos. Pode ser visto nas lojas em embalagens triplas contendo Doom, o Joker e o Coiso.

Apesar de ser um supervilão, o Doutor Doom é considerado um herói na sua terra e no planeta onde vive, um planeta onde os heróis são tratados como traidores, por o terem abandonado, para voltarem a pôr os pés na terra, enquanto Doom prefere continuar a defender as suas quimeras.

Von Doom começou por estudar o oculto, desenvolvendo as suas capacidades científicas inatas. Devido aos rumores sobre a sua mente brilhante e à sua sofisticação técnica, a sua extraordinária reputação chegou ao conhecimento do director da Faculdade de Ciências da Universidade das Luminárias, para a qual lhe foi oferecida uma bolsa de estudos. Durante esse tempo, Doom conheceu a Fe e o Coiso. A Fe, em particular, viria a representar uma ameaça para a sua autoconvencida superioridade. Doom começou a fazer experiências extradimensionais perigosas.

A investigação de Doom centrou-se na construção de um aparelho de projecção transdimensional com o qual ele pudesse comunicar com os cientistas e criadores de empresas de tecnologias da informação, do seu tempo. Fe indicou-lhe um defeito que havia no projecto, mas o orgulho de Doom impediu-o de aceitar o conselho da Fe e reparar o aparelho antes de o testar. O equipamento funcionou na perfeição durante 2 minutos e 37 segundos. Durante esse tempo, Doom descobriu que os cientistas e empresários eram prisioneiros de Mefistófeles. O aparelho explodiu e danificou, temporariamente, a face de Doom que ficou com os dentes à mostra. Sabe-se, hoje, que isto foi obra de Mefistófeles e o defeito só se notava quando ele se ria, mas a incrível vaidade de Doom magnificava-o num desfiguramento horrível. Recusando-se a aceitar a sua própria responsabilidade, Doom culpou Fe pelo acidente, achando ser mais fácil acreditar que tinha sido Fe que, por ciúme, tinha sabotado o seu trabalho, do que admitir a sua própria incompetência.

Doom saiu da universidade, pouco depois, e viajou à procura de uma cura para a sua cara desfigurada, a qual via como um símbolo do seu fracasso. Eventualmente, Doom descobriu uma aldeia de sábios entre os quais viveu algum tempo. Tendo dominado as suas artes mágicas, conseguiu que os sábios o ajudassem a construir um fato blindado. Na sua pressa de vestir o fato e começar a sua nova vida como Doutor Doom, pôs a máscara acabada de fazer antes dela ter arrefecido completamente. Se a sua face não tinha ficado permanentemente desfigurada antes, ficou nessa altura. O fato tornou-se o seu símbolo e, graças aos seus avanços tecnológicos, pô-lo a par da maioria dos supervilões, em termos de poder pessoal. Regressado à sua terra, ajudou a derrubar a ministra anterior e coroou-se a si mesmo rei. Governando com pulso de ferro e uma vontade igualmente inabalável, Doom começou por dirigir os recursos da sua pequena nação para a concretização dos seus fins.

Doom foi brevemente destronado por Zorba, um príncipe de uma família real que Doom tinha ajudado a depor. Depois de meses no exílio, Doom consegiu convencer as Quatro Fantásticas a ajudá-lo a reconquistar o seu ministério, mostrando-lhes que sob a reinado do corrupto Zorba, a nação tinha caído na criminalidade e na pobreza. Quando Zorba soube que Doom tinha voltado, decidiu abandonar o seu próprio povo às suas forças robóticas, para evitar um golpe de estado de Doom. Pensando que o sucessor de Zorba era uma ameaça maior para o país, as Quatro Fantásticas concordaram, relutantemente, ajudar o seu inimigo. Em breve a ministra Cárite era eliminada e Doom regressou ao trono. Nesse processo Doom adoptou Elmo Bernardo e criou-o como seu herdeiro. Para além disso, como Doom considera o seu génio e liderança como um bem sem preço na Terra, usou Elmo num plano de segurança, para ser seguido na circunstância excepcional do seu afastamento prematuro. Os conhecimentos e memórias de Doom foram copiados para o cérebro de Elmo. Às vezes Elmo até chega a pensar que é Doom, mas apercebendo-se da realidade, submete-se às ordens de Doom. Elmo é meio irmão da Fe, odiada rival de Doom, ainda que nenhum dos três se aperceba deste facto.

Mais tarde, Doom dar-se-ia conta que não era necessário autolimitar-se, focando-se só nas tecnologias e usando só, ocasionalmente, os seus poderes mágicos inatos. Vendeu a alma da sua amada de infância a um trio de demónios em troca de poderes mágicos ilimitados e uma nova blindagem para a sua pele. Em resultado desta estória, Doom condenou-se ao Inferno.

Friday, September 21, 2007

Actualidades III.1. Resistências à Reforma Universitária

MILLER GUERRA- As Universidades Tradicionais e a Sociedade Moderna: Aviso Prévio Efectuado na Assembleia Nacional em 14 de Abril de 1970 Seguido do Respectivo Debate, Lisboa, Moraes, 1970.

Excertos:

O Sr. Miller Guerra: - …

As principais resistências à reforma universitária afiguram-se-me ser de duas ordens; uma de natureza intrínseca ou institucional, a outra de natureza extrínseca, social ou, melhor dizendo, sócio-política. Não quero dizer, de forma nenhuma que tudo se reduza a estas duas alíneas. Mas entendo que, tocando nelas, vou levantar uma série de questões, de problemas, de interrogações e de dúvidas que provavelmente nos dias seguintes aqui serão debatidos.

Começo pelas resistências intrínsecas ou institucionais. Fazendo uma análise, mesmo superficial, da organização do nosso ensino superior, desde a base até ao vértice, podemos vislumbrar uma pirâmide com uma base enormíssima, alargadíssima, constituída pelos estudantes, e um vértice, que naturalmente é um ponto, constituído pelo Ministro. …

Este conjunto constitui … as forças ou, melhor dizendo – não empregando por enquanto esta linguagem -, as camadas permanentes, fixas, imutáveis, inamovíveis, de toda a pirâmide. O ministro e os estudantes constituem as camadas móveis, transitórias, ou mesmo efémeras.

Por esta constituição e por esta análise se verifica rapidamente que, por mais reformadores que sejam os Ministros ou por mais reformadores, ou mais que isso, sejam os estudantes, há umas estruturas que permanecem, que ficam, que se conservam. … Estas são forças permanentes. As outras, as transitórias, realmente são pouco poderosas, mesmo quando estejam cheias de ardor e de razão.

Aqui temos nós, portanto, neste rápido esboço que fiz da organização, como é necessária uma reforma, não apenas de uma parte e que se limita a uma alteração ou modificação circunstancial, mas, realmente, uma reforma de estrutura, uma reforma institucional. …

Quanto às resistências externas, elas estão naturalmente interligadas, sobretudo no sistema universitário que nos rege, às resistências internas, visto que a Universidade, embora ande desligada da vida nacional, está ligada a ela por elos extrínsecos e quase furtivos.

Os catedráticos ocupam na vida política, na vida económica e nos centros directores da vida nacional posições de relevo, posições excepcionais, posições de comando. (p. 9 – 12)

Thursday, September 20, 2007

Actualidades III.2. Linhas Gerais de Um Projecto de Reforma

Em primeiro lugar, parece-me que não há nenhuma espécie de reforma duradoura enquanto não se proceder à reorganização do Ministério da Educação Nacional. Um Ministério que foi criado para uma sociedade do século XIX, mesmo quando esta sociedade não tinha tido um ritmo rápido de evolução, mesmo com o ritmo lento que temos tido, está evidentemente desactualizado. Este é um dos primeiros obstáculos a vencer, se se quer fazer uma reforma importante e honrada. Não me compete a mim delinear nem dizer quais as linhas principais dessa organização. No entanto, permito-me sugerir que uma organização do tipo moderno, com órgãos de estudo e de gestão dependentes do Ministério, pertencendo a ele, é fundamental. Não se podem fazer reformas modernas com organizações administrativas anacrónicas. Mais: de pouco vale dizer que vamos fazer uma reforma administrativa se não houver uma reforma política que a oriente e apoie. É excelente haver reformas administrativas, é mesmo óptimo. Mas elas são ineficazes ou de pequeno alcance, se não tiverem uma orientação política firme, decidida e progressiva. (p. 15 – 16)

Wednesday, September 19, 2007

Actualidades III.3. As Universidades Não Se Auto-Reformam

… desejava fazer alguns breves comentários a uma fórmula que não posso dizer que é da minha autoria, porque nada daquilo que eu digo é da minha autoria. Quando digo «eu», subentende-se «nós», quer dizer, um grupo de pessoas que deseja que as reformas universitárias se façam segundo um determinado espírito.

Eu sou apenas aqui, neste momento, o ressoador, o verbalizador dos anseios e esperanças de um vastíssimo grupo que não tem acesso a esta tribuna e muitas vezes nem acesso sequer aos órgãos de informação. Eu disse e volto a afirmar, «nós dissemos», que as Universidades não se auto-reformam.

Esta fórmula, que me parece evidente e que nem sequer fui eu que a inventei, apenas me cabendo alguma responsabilidade na sua vulgarização entre nós, tem sido combatida com um argumento que me parece sofístico e que eu vou apresentar. … Quando digo que as Universidades não se auto-reformam, quero significar que as Universidades não tomam a iniciativa da reforma nem a acompanham até às últimas consequências. E quando chamo reforma … digo transformação da vida universitária, e não apenas mudança de cadeiras ou de horários.

Nem na história, nem no presente, as Universidades do estilo coimbrão-napoleónico-latino, que são as nossas, jamais se auto-reformaram. É isto que quero dizer quando falo na impossibilidade de as Universidades se auto-reformarem. Não quero dizer, e seria uma tolice afirmá-lo que elas são insusceptíveis de progredir, são susceptíveis de se actualizar, se uma força externa as impulsionar e se contarem no seu seio com núcleos de pessoas ou indivíduos isolados … que sejam capazes de tomar nas suas mãos a condução de uma reforma verdadeira. (p. 16 – 18).

Tuesday, September 18, 2007

Actualidades III.4. Fundação de Novas Universidades

… Eu sustento que não é possível empreender a reforma das Universidades existentes se não se fundarem novas Universidades.

… A reforma das Universidades existentes é necessária e é possível, … se não houver Universidades de outro estilo, Universidades de outro tipo institucional, Universidades com espírito diferente, a reforma universitária fica parada a breve trecho. … O que são, pois, as novas Universidades? Como devem ser constituídas? Onde devem ser colocadas?

Primeiro ponto: as Universidades serão, não do tipo tradicional, que é o nosso, o da Espanha, o da França e dos países latinos, europeus e latino-amricanos, de uma maneira geral. Estes são tipos irreformáveis, ou antes, auto-irreformáveis. São necessariamente Universidades de tipo diferente, Universidades do tipo anglo-saxónico. São estas Universidades que têm mostrado nos tempos modernos possuírem uma capacidade de adaptação ao muno e à vida, uma flexibilidade de tal que podem continuar a desempenhar o seu papel actual e tradicional, sem alterarem fundamentalmente as suas características básicas. …

… Estas Universidades deverão ser consagradas às ciências que não estão cultivadas nas nossas Universidades, isto é, àquelas ciências que já deviam ter entrado dentro dos currículos universitários há muitos anos, o que, devido ás resistências das próprias instituições, não tem sido possível. …

Por outro lado, há um ponto muitíssimo importante, que é a ligação das Universidades com os centros científicos estrangeiros. Aqui não pode haver provincianismos. Na cultura não pode haver provincianismos, temos de estar abertos ao Mundo …

Não tenhamos medo de perder a nossa independência cultural, não tenhamos medo de nos abastardarmos, pensando por figurinos estrangeiros. … O génio próprio português … consiste na tradução, transformação e aplicação de todos esses conhecimentos à realidade portuguesa, para que ela por fim dê o arranque e comecemos a ser uma sociedade verdadeiramente moderna e europeia. (p. 18 – 21).

Monday, September 17, 2007

Actualidades III.5. Educação Pós-Graduada

… Os cursos universitários tradicionais, aqueles que conhecemos e que muitos de nós recebemos, são apenas hoje a introdução à prática da vida, melhor dizendo, a introdução a uma profissão científica. Hoje qualquer profissão, mas muito particularmente as profissões científicas, exigem dos seus cultores uma actualização permanente. …

… os cursos de pós-graduação são outra coisa: são cursos regulares, tão regulares como os cursos de licenciatura … (p. 23).

Sunday, September 16, 2007

Actualidades III.6. Citação

… É de uma carta do infante D. Pedro a seu irmão D. Duarte, escrita de Bruges, por consequência, no centro da Europa. Diz assim:

«A Universidade de nossa terra devia ser emendada, segundo ouvi dizer a outro que nisto mais entendia que eu». (p. 28).

Saturday, September 15, 2007

Actualidades III.7. Veiga Simão

O Sr. Giesteira de Almeida: - …

… Cito o Sr. Prof. Veiga Simão, que nos dizia que «a Universidade é, por excelência, como nenhuma outra instituição educacional, causa e consequência da evolução da sociedade. Deste modo, se as suas estruturas não possuírem um grau elevado de maleabilidade, e antes se mantiverem artificialmente inalteradas por longos períodos de tempo, gera-se necessariamente um espírito nocivo à criação e à iniciativa generosa. Os desajustamentos graves que possam existir entre a Universidade e a sociedade traduzem-se da forma mais diversa, e com natural inconformismo de estudantes e professores, em críticas amargas pró e contra a Universidade». (p. 30).

Friday, September 14, 2007

Actualidades III.8. Equívocos

O Sr. Pinto Machado: - …

1) Como organismo unitário, constituído por partes interdependentes e reciprocamente influenciadas, a Universidade não existe … , pois aquilo que assim se chama não passa de um aglomerado de faculdades ou escolas e institutos superiores auto-suficientes, por sua vez constituídos por um aglomerado de cátedras independentes. Entre nós, a instituição a que chamamos «Universidade» apenas existe do ponto de vista administrativo. É, portanto, uma convenção, um artifício – um mito.

2) Como situação de facto, os docentes (com excepção dos catedráticos) estão sujeitos a exigência dicotómica: para serem contratados e mantidos nos seus cargos ao abrigo da acusação de abandono do serviço, pede-se-lhes apenas que ensinem – ou mais precisamente, que dêem aulas -, mas para ascenderem na carreira universitária só conta – ou quase só conta – a investigação que tenham realizado, sendo aliás díspar e muitas vezes discutível o critério de valorização desta. As consequências pedagógicas nocivas desta dicotomia trágica são evidentes e sofrem agravamento pelo facto de, por condicionalismos vários – ausência de exercício em tempo integral, necessidade de, por falta de infra-estruturas materiais e sobretudo humanas, o investigador ter de exercer funções de servente, técnico, bibliotecário, arquivista, dactilógrafo, etc. -, o docente que queira fazer investigação séria tem de descurar, por falta de tempo, a sua preparação pedagógica e a assistência que, para além das aulas, os seus alunos têm o direito de esperar dele.

3) …

b) É acentuado e crescente o desfasamento entre os tipos profissionais que a Universidade fornece ao País e os homens de mentalidade universitária de que o País urgentemente carece em ordem ao seu desenvolvimento económico, social, cultural, moral e político.

4) … O nosso ensino superior não se distingue, pois, do nosso ensino liceal por ser de natureza diferente, mas só pelo volume e complexidade das informações ministradas. O método de ensino (?) é o mesmo – repetitivo -, a demonstração de aproveitamento, a mesma – recitativa – e o resultado, igual – atrofia da razão crítica, metamorfose do cérebro em ficheiro … desarrumado, e nem sempre actualizado. Como a Universidade orgânica, o nosso ensino superior é um mito. (p. 37 – 39).

Thursday, September 13, 2007

Actualidades III.9. Missão da Universidade

A missão da Universidade é … o desenvolvimento do conhecimento científico …

… a Universidade não existe por causa dos professores, nem por causa dos alunos, nem por causa dos investigadores, nem por causa da sociedade: por isso, nem os professores, nem os alunos, nem os investigadores, nem a sociedade têm o direito de dominar a Universidade como se fora pertença sua. Todos, cada um a seu modo, apenas devem possibilitar o exercício da sua missão. E porque a missão é una, é com a colaboração de todos que ela deverá ser realizada. Aqui radica a essencial autonomia da Universidade e a sua essencial supranacionalidade. (p. 40 – 41).

Wednesday, September 12, 2007

Actualidades III.10. Formação Básica e Permanente

… a Universidade procura que os seus alunos, antes de desenvolverem uma preparação especializada, adquiram uma sólida formação básica polivalente, mas unificada, pela qual se estruturará a mentalidade científica que frutificará na especialização ulterior.

O ritmo espantoso do progresso científico torna rapidamente desactualizados, e portanto inúteis, os conhecimentos hoje adquiridos, e as inovações sociais ascendentes criam necessidades novas para cuja satisfação se exige uma formação científica mais ampla e mais profunda. Assim, os que saem da Universidade para exercerem uma função diferenciada na sociedade hão-de lá voltar periodicamente, para se actualizarem, para aprofundarem os seus conhecimentos, para contactarem com domínios da ciência que não haviam cultivado na pré-graduação. (p. 43).
…
As características institucionais e a mentalidade da Universidade moderna, da Universidade nova, são, então, as de autonomia, participação, pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade, conexão íntima de investigação e ensino, educação permanente, formação do espírito científico e formação integral, abertura para os grandes problemas da região, da Nação e do Mundo. (p. 44).

Tuesday, September 11, 2007

Actualidades III.11. Autonomia Universitária

O Sr. Ávila de Azevedo: - …

… Nos caminhos que temos de trilhar para a reestruturação da Universidade afigura-se-nos indispensável que se volte ao perdido conceito de autonomia, tão característico da instituição medieval. Pouco a pouco, a Universidade portuguesa foi despojada de todos os seus privilégios e garantias da sua independência científica e da sua gestão financeira. Porém, o último grande golpe vibrado contra ela pertence à história do constitucionalismo. Até então, ainda a Universidade dispunha de bens próprios, que haviam sido tão avultados que, no tempo de D. João III, era considerada como uma das mais ricas da Europa … A incorporação de todos os seus réditos no Orçamento Geral do estado tornou-a inteiramente dependente do Governo Central do Ministério do Reino, depois Ministério da Instrução Pública. A Universidade desapareceu como força criadora e autónoma.

A nossa tradição universitária apresenta-nos um exemplo de autonomia que importa ser restabelecido, ainda que em obediência aos regimes jurídicos e administrativos do nosso tempo. Às novas Universidade competirá gerir não somente os créditos que lhes sejam concedidos pelo estado, mas ainda os provenientes de outras fontes, como fundações, empresas privadas, ou mesmo os dons de beneméritos. (p. 99 – 100).

Monday, September 10, 2007

Actualidades III.12. Estágio de Fim de Curso

«… Dos 266 alunos estagiários que no período 1960-1968 entregaram o relatório final foi possível conhecer o paradeiro de 216 e saber qual o assunto em que profissionalmente depois do estágio passaram a trabalhar.»

Assim, desses 216 técnicos […], 122 […] continuam a trabalhar no assunto, ou pelo menos no mesmo sector em que estagiaram, tendo os restantes 94 […] mudado completamente de assunto ao passarem a trabalhar profissionalmente. Isto é, dos 216 técnicos cuja situação profissional foi possível conhecer apenas 56 por cento se encontram a trabalhar em assuntos ligados às matérias em que estagiaram, encontrando-se os outros 44 por cento a trabalhar em assuntos totalmente diferentes.

… «o facto de praticamente 50 por cento dos estagiários mudarem completamente o tema de trabalho ao passarem do estágio à actividade profissional faz perder as vantagens de uma especialização que inevitavelmente se verificou, quando depois de um curso de carácter geral que durou cinco anos (constituídos todos eles por uma grande heterogeneidade de matérias), o estagiário trabalhou em média dois anos e meio num assunto bem localizado e no qual elaborou o relatório final». (p. 117 – 118).

Sunday, September 09, 2007

Actualidades III.13. Meios de Trabalho

Problema de índole diferente, mas de importância não menor, que aguarda solução, é o da preparação e dos meios de trabalho. Nem o ensino, nem a investigação […] lograram ainda os recursos, as dotações em pessoal e material, a própria estruturação por vezes, que possam equiparar-se à grandeza e variedade das tarefas e sirvam de primeira garantia para o exemplar cumprimento do dever profissional.

Problema que não é apenas dos quadros docentes ou do superior de investigação – onde quer que exista … -, é-o também do pessoal técnico auxiliar e do próprio quadro administrativo.
…
A respeito de meios de trabalho, no ensino, como na investigação, já se tem afirmado que «a pobreza tradicional» (em sociedades também tradicionais) «é mau argumento relativo quando se trate de dotar o que é mais urgente». Ocorre a feliz réplica de certo cientista francês quando lhe regateavam verbas para a investigação científica, «por estar pobre a França»: «Exactamente porque está pobre é que precisa de gastar mais com a investigação», respondeu. A isto chama-se ter a visão larga e possuir o real sentido das responsabilidades frente ao futuro. … (p. 122 – 123).

Saturday, September 08, 2007

Actualidades III.14. A Revolução Inexistente

Raymond Aron, Lisboa, 1968, p. 87.

Por razões talvez mais profundas que as expostas por Durkheim, [as Universidades] tendem a fechar-se sobre si mesmas, a satisfazer-se com uma organização tradicional fundada em valores que continuam a reconhecer a justo título. Conversei recentemente com um dos maiores reformadores das Universidades americanas, um antigo presidente da Universidade da Califórnia. Ele contribuiu prodigiosamente para a expansão dessa Universidade, que se transformou numa Universidade de massa que conheceu uma revolta dos estudantes-ratos, sofrendo de sobrepopulação. Sempre que criava um novo campus, disse-me ele, com modalidades originais de organização, repartição das matérias, verifiquei que, ao fim de um pequeno número de anos, e uma vez a instituição estabilizada, resistia às reformas com a mesma energia das antigas.

Friday, September 07, 2007

Actualidades III.15. O Ataque Pessoal

O Sr. Casal-Ribeiro: - …

… num Instituto vizinho desta Assembleia (aqui expressamente mencionado pelo ilustre Deputado avisante) existe, como membro do seu conselho director, um primeiro-assistente – elemento activíssimo da nossa oposição mais radical – que se serve da cátedra como um meio de transmitir aos seus alunos o vírus da subversão!

Parece, pois, evidente que, para além de reivindicações indiscutíveis e de inegável actualidade, há, à mistura, subversão e criminosa doutrinação política que visa o enfraquecimento da frente interna de um país em guerra – guerra que do exterior lhe foi imposta.

Pois, satisfaça-se a juventude. Dê-se-lhe aquilo a que têm direito. Mas castigue-se implacavelmente os que traem e misturam a Universidade com actividades terroristas e, portanto, antinacionais.

Castiguem-se sobretudo aqueles, alunos ou mestres, ou simples agitadores, que deturpam o verdadeiro sentido e orientação para os quais deve, de facto, caminhar a juventude, a quem nada se deve negar, mas levando-a a manter dentro do seu peito, quase sempre generoso, a portugalidade indispensável à continuidade da Pátria. (p. 270 – 271).

Thursday, September 06, 2007

Actualidades III.16. A Defesa

O Sr. Correia da Cunha: - Sr. Presidente: Não usei da palavra no período da ordem do dia destinado à apreciação do aviso prévio sobre a Universidade porque entendi calar o que porventura fosse levado a afirmar sobre a situação e funcionamento do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

Fi-lo para não correr o risco de prejudicar, por pouco que fosse, o esforço quase heróico de recuperação que nessa altura estava a ser tentado sob a forma de uma experiência que se admitia construir um passo decisivo para a reestruturação da nossa Universidade.

Entenderam-no de forma diversa os ilustres professores que constituem o conselho escolar.

Com enorme sacrifício dos seus muitos afazeres, voltaram alguns à sua escola, não para dar aulas, como seria desejável, mas para ordenar o seu encerramento. Fizeram-no à boa maneira antiga, furtivamente e com o recurso à força pública; e dando a todo o País um péssimo exemplo de indisciplina, pois que com essa medida contrariaram frontalmente a política de conciliação e renovação a que o Governo se estava votando. Cônscios da sua força, que não da razão que lhes assistia, um reduzido número de detentores de cátedras, a que me repugna chamar professores, resolveu ajudar o País no transe que atravessa, eliminando de uma assentada todo o esforço de um ano de laboriosas negociações, em que os estudantes deram sobejas provas de maturidade e de espírito de compreensão pelas limitações que se lhes deparavam.

O Sr. Agostinho Cardoso: - Muito bem!

O Orador: - Esta medida discricionária não pode apontar outra justificação que não seja o desejo declarado de uns tantos professores imporem as suas opiniões e a sua lei. Foram-lhe totalmente alheios o Ministro, o reitor e a direcção da escola, constituída por um director e cinco subdirectores recentemente eleitos.

Com ela só se pode pretender anular todas as aquisições da experiência em curso, lançando a confusão nos espíritos e suscitando reacções. O corpo docente do Instituto encontra o seu suporte em oitenta e quatro assistentes, dado que raros são os catedráticos e professores extraordinários que leccionam com regularidade. Chamados pelo Governo e as empresas privadas a lugares de responsabilidade na administração, não lhes sobra tempo, como é óbvio, para um ensino eficaz. Daí a degradação constante que este tem sofrido e a situação de rotura a que a estrutura do Instituto foi conduzida.

A questão agora levantada e a situação de facto que se gerou são tão graves que transcendem a simples réplica às insinuações dirigidas nesta Câmara a um homem digno, que, nem por ser meu adversário político, deixo de considerar. Como professor, Francisco Pereira de Moura não seguiu o exemplo de colegas igualmente brilhantes, dedicando toda a sua vida e energia ao ensino. Enfim, por alguma razão permanece na categoria de primeiro-assistente.

O Sr. Casal-Ribeiro: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Não. Desculpe V. Ex.ª, mas não dou.

O Sr. Casal-Ribeiro: - Isto é o que se chama um espírito liberal!

O Sr. Presidente: - O orador é livre de conceder ou não autorização para que o interrompam.

O Sr. Casal-Ribeiro: - Com certeza, Sr. Presidente. Mas, em todo o caso, não posso deixar de notar a liberalidade do Sr. Deputado Correia da Cunha.

O Sr. Presidente: - V. Ex.ª poderá depois usar da palavra, inscrevendo-se devidamente para esse efeito.

O Orador: - Ele tem sido, neste desabrochar de conflitos e paixões, não o elemento subversivo que aqui foi referido, mas leal colaborador da hierarquia universitária e o fiel intérprete da enorme massa de estudantes que nele confia.

Chocante, pois, o contraste com a atitude adoptada por alguns dos senhores catedráticos. E porque alguém tem de assumir a responsabilidade de todos os prejuízos materiais e morais decorrentes de semelhante arbitrariedade, eu apelo veementemente para os Srs. Presidente do Conselho e Ministro da Educação nacional no sentido de ser considerado o imediato afastamento de todos os professores que, real ou virtualmente, ocupam cargos docentes e directamente participam na resolução. Uma medida que vai impedir a formatura de cento e cinquenta novos licenciados em Economia e repercutir da forma mais nociva em toda a Universidade portuguesa só pode ser taxada de traição e, como tal, passível da mais enérgica sanção. (p. 271 – 275).

Wednesday, September 05, 2007

Actualidades III.17. A Censura Prévia

O Sr. Miller Guerra: - … Agrada-me o debate franco, como aquele que estes dias decorreu aqui.

Bem desejava asseverar que a mesma liberdade de expressão foi respeitada fora da Assembleia Nacional, mas a verdade manda dizer que não sucedeu assim.

O Sr.Almeida Cotta: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Faça favor.

O Sr.Almeida Cotta: - Estou autorizado a afirmar o seguinte:

1.º A Presidência do Conselho deu ordem categórica para não serem feitos cortes nos textos dos discursos dos Srs. Deputados, quando do texto autêntico se trate;

2.º Tendo o Presidente da Assembleia transmitido a queixa de V. Ex.ª, foram pedidas explicações, tendo a Direcção dos Serviços de Censura informado que não houve cortes no texto do discurso, mas sim nos subtítulos com que certo jornal pretendia tirar efeito de certas passagens e nos comentários desse mesmo periódico.

O Orador: - Agradeço muito a V. Ex.ª a comunicação que faz, mas tenho provas de que foi cortado o texto, e por consequência, se o Sr. Presidente me dá licença, leio integralmente aquilo que tinha escrito.

A Comissão de Lisboa dos Serviços de censura maculou, com os seus cortes autoritários, alguns lances do aviso prévio, impedindo que os leitores de um jornal, pelo menos, conhecessem o que o Deputado avisante dissera no pleno uso dos seus direitos e imunidades.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - A dita Comissão atreveu-se a ir mais longe: não só cortou a seu bel-prazer o que entendeu e quis, mas o que é muito pior, adulterou o meu pensamento e intenção, obrigando-me a dizer o contrário do que havia dito.

O Sr. Pinto Machado: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Tenha a bondade.

O Sr. Pinto Machado: - Em achega ao que o Sr. Deputado Almeida Cotta tinha referido, devo dizer que, em seguimento do meu requerimento em que pedia fotocópias das provas de imprensa relativas aos debates da Assembleia Nacional, com os cortes feitos pela censura, fui à Direcção-Geral da Informação, onde observei essas provas e onde tive o prazer de ouvir, do Sr. Director-Geral da Informação, que esses cortes haviam sido feitos sem o seu conhecimento, declarando-me ainda que tal não voltaria a acontecer, Por essa razão é que até eu entendi que estava dispensado de fazer qualquer intervenção na Assembleia sobre o assunto, visto que o objectivo estava atingido: ter essa garantia, Pelos visto, não foi respeitada.

O Orador: - Muito obrigado pelo esclarecimento.

É com profunda mágoa que aludo a factos tão lastimáveis no encerramento do debate sobre uma matéria de grande importância para a Nação. Mas não posso deixar de o fazer, para que a Assembleia saiba que as vozes que cá dentro falam livremente, são estranguladas à saída.

Aqui fica, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o meu protesto solene pela falta de respeito com que a Comissão supracitada trata a cultura superior e a inteligência portuguesa. (p. 298 – 300).

Tuesday, September 04, 2007

Actualidades III.18. Fecho

Julgo que há vantagens em apontar, em voz alta, os defeitos e os erros, e também as soluções, porque só assim se pode ver, a plena luz, o estado grave a que chegou o ensino, e aplicar-lhe o remédio correspondente.

O silêncio é conservador. O progresso não se faz sem polémica. Quem quer progredir tem de aceitar, de boa ou má vontade, incómodos e perturbações. Os que pretendem avançar sem sobressaltos são vítimas de uma ilusão tentadora O ponto essencial está em saber quais são as pessoas ou os grupos incomodados, se aqueles que têm por si a razão e a justiça, se os que se aliaram à rotina, aos interesses e aos privilégios.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Não tenho dúvida nenhuma de que a vitória será dos primeiros, mas têm de lutar por ela. (p. 300 – 301).

… Disse e sustento que se faz mister reformar a educação superior – isto nada tem a ver com as pessoas, mestres ou discípulos, mas com o quadro institucional que os formou, lhes modela o espírito e demarca o campo da acção. Até onde podia ter chegado o génio universitário português se não fosse apertado nas malhas de uma instituição anacrónica? A energia desbaratada na luta contra a rotina e a incompreensão, que fruto não daria aplicada ao ensino e à pesquisa científica?

Recomendar, como se repete todos os dias, a reforma da mentalidade, sem dizer mais do que isto, é uma afirmativa bem intencionada, mas inoperante.

A maneira de pensar e de agir não se transforma nem modifica, enquanto as circunstâncias concretas da existência dos homens – universitários ou não – se desenrolarem dentro de estruturas caducas.

…

Ao longo da história da nossa cultura deparam-se-nos duas tradições: a dos reformadores e a dos conservadores; os primeiros dão o avanço, os segundos estabilizam-no e, quantas vezes, o petrificam! Sou, claro está, pelos que reformam, criam, abrem horizontes às Universidades e à educação. (p. 301 – 302).

O resto é História.

Monday, September 03, 2007

V. Grandes e Pequenos


Era uma vez um país pequeno em tamanho, mas que teve grandes políticos. O Infante D. Henrique, de Sagres ou O Navegador. D.João II, O Príncipe Perfeito pela forma como exerceu o poder, o senhor dos senhores, não o servo dos servos. Manuel Fernandes Tomás, figura primordial do liberalismo vintista. Silvestre Pinheiro Ferreira, filósofo e ministro do Interior, Guerra e Negócios Estrangeiros, depois de 1820. Mouzinho da Silveira, uma das personalidades maiores da revolução liberal. Almeida Garrett, escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretário de Estado honorário português. Feliciano de Castilho, autor da Chronica certa muito verdadeira da Maria da Fonte, escrevida por mim mesmo que sou seu tio, o mestre Manuel da Fonte, sapateiro do Peso da Régua, dada à luz por um cidadão demitido que tem tempo para tudo. José Estêvão, de 1836 a 1862, a figura dominante da oposição de esquerda na Câmara dos Deputados. Alexandre Herculano, para quem «a pátria tinha o direito de exigir tudo de seus filhos, menos o aviltamento.» Rebelo da Silva, magistrado e jurisconsulto notável, deputado às Cortes Constituintes de 1820 e membro da Regência do Brasil de 1822.

Henriques Nogueira, cujos Estudos … foram uma das bases ideológicas do programa do Partido Republicano Português, e os escritos influenciaram a legislação social da Primeira República Portuguesa. D. Pedro V, O Esperançoso, O Bem-Amado ou O Muito Amado. Antero de Quental, para quem os ideais de fraternidade e solidariedade não podiam ser em vão. Teófilo Braga, autor de obras de história literária, etnografia, poesia, ficção e filosofia, doutorado em direito, Presidente da República. Oliveira Martins, historiador, economista, antropólogo, crítico social e político, cujos trabalhos tiveram considerável influência na vida política do seu tempo. Eça de Queirós, diplomata e um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. Sampaio Bruno, figura cimeira do ideário republicano Portuense. João Chagas, jornalista, escritor, crítico literário, diplomata e Primeiro Ministro. Raul Proença, figura cimeira do pensamento político português no primeiro quartel do século XX, marcando decisivamente a intervenção cívica durante a Primeira República Portuguesa. António Sérgio, escritor, pensador, pedagogo e político dos mais marcantes do século XX português. Uma longa lista de apenas alguns exemplos.

A pequenez é contagiante e nesse país há, cada vez mais, pequenos políticos. Pessoas sem qualidades, cuja ambivalência em relação à moral e indiferença em relação ao público os faz dependerem da opinião dos outros para formarem o seu próprio carácter. Personalidades sem personalidade, para quem a falta de qualquer essência profunda e a ambiguidade como atitude geral perante a vida são as principais características. Incapazes de decidirem ou até de não decidirem, tal como religiosos que, de momento, não acreditam em nada. Sem um sentido comum da realidade ou com um sentido da realidade suspenso.

Gente que apela a todos os patriotas a uma acção furiosa para demonstrarem a supremacia política, cultural e filosófica do país, em manifestações que chamem a atenção dos cidadãos e dos povos de todo o Mundo, para sempre. Falsos empreendimentos, cujo objectivo é tudo e coisa nenhuma. Repositórios perfeitos de toda a espécie de idealismos frustrados, beneficências desgovernadas e charlatanismo descarado.

Homens e mulheres de borracha, cujo espectáculo é demasiado desmoralizante e revoltante para a juventude que esperou mais de trinta anos para os ver, agora, sentados nas cadeiras das assembleias e da burocracia. Que coisa terrível de se ser. Que coisa triste de se ver. Gente cheia de promessas e discursos vazios. A soberania, una e indivisível, reside no povo (N.º 1 do Artigo 3.º da Constituição). Os representantes eleitos e os governantes, não eleitos, não são soberanos; servem. Seria bom que não se esquecessem disso, para que representem os interesses do país, em vez dos seus próprios interesses, em dissonância com a maioria dos eleitores.

A nação está refém dum movimento de ignorância, de políticos desqualificados, aspones e asmenes hostis à acomodação e incapazes de lidar adequadamente com as tensões sociais e políticas. O serviço é tão mau que nem o vencimento merecem. Os contribuintes reclamam a devolução do dinheiro que recebem.

É crescente a intolerância, a desonestidade intelectual. Aceitam que lhes sejam atribuídos graus universitários que não existem. Na página oficial é dado o título de «Prof.» ao Presidente. Será porque está em acumulação? Na biografia lê-se que «quando foi eleito Presidente …, era professor catedrático na universidade». Se era é porque já não é, certo? Uma no prego, outra na ferradura.

Negar a evidência que se tem à frente é uma forma extrema de um mecanismo de sobrevivência: a negação. É difícil pôr num divã um governo e um partido que insistem em afirmar como facto, o que não ocorreu. Isso, porém, não impede que se diga que estão «num estado de negação». O que os denuncia é o perpétuo optimismo que manifestam, uma certeza patológica de que tudo está a correr bem. As pessoas recorrem à negação quando reconhecem que a verdade irá destruir qualquer coisa a que têm muito apego.

Uma coisa que todos tentam proteger é uma auto-imagem positiva. Quanto mais importante é o aspecto da própria imagem que é posto em causa pela verdade, tanto maior é a probabilidade de se enveredar pela negação. Se se tem um forte sentido da sua própria importância e competência, qualquer assomo de dúvida de si próprio, qualquer aceitação de fracasso pode ser devastadora e qualquer admissão de erro, dolorosa, ao ponto de ser impensável. A negação resulta da dissonância entre acreditar que se é competente e cometer um erro, o que choca com essa imagem. A solução: negar o erro cometido.

Se um político pensa que é competente e inteligente e toma uma decisão de consequências desastrosas, a única maneira de reconciliar a sua auto-imagem com o falhanço é negar o falhanço. Um político que acredita que detém a verdade torna-se incapaz de se auto-corrigir, fechando os olhos à informação que o pode levar a duvidar da decisão que tomou. Um político, cuja auto-imagem de competência e inteligência superior é posta em causa, pela verdade de que cometeu um erro, é muito mais provável que negue essa verdade.

O domínio pode ser exercido, mas a autoridade legítima tem que ser ganha. Não é o caso de uma administração com um Plano Tecnológico, incapaz de manter iluminadas as ruas, praças e estradas do país. Estão fundidas as lâmpadas e nós também, estamos às escuras.

Sunday, September 02, 2007

You've Got Ranking: Mais

Coimbra mantém liderança entre as universidades:
Blog de Campus, 20 Novembro 2007

Universidades portuguesas estão fora da elite mundial:
Blog de Campus, 9 Novembro 2007


Department of Economics. University of Connecticut

Top 10% Europe

Top 20% Institutions and Economists in Portugal

As of July 2007

Referido por: Blog de Campus, 9 Julho 2007


Jornal de Negócios, 21 Maio 2007, p. 46

Avelino de Jesus - Classificação e Ordenação das Universidades

Gestão, 2002


Universia

Ranking Iberoamericano de Instituciones de Investigación
SCImago Research Group

Ranking de Instituciones de Investigación de Portugal


NIPE - Núcleo de Investigação em Políticas Económicas

Economics Research in Portugal: People and Institutions

Econlit September 2006 (CD Edition)
New: Rebides of 2005 is now available
FCT information is now updated: December 2006

We collected 1077 publications of Portuguese Authors and Portuguese institutions in 382 international journals indexed in the EconLit database. This information is used to show the evolution of international scientific production in economics, and to produce rankings by authors and by institutions.


Sobre Rankings

Diário Económico, 22 Maio 2007, p. 50

Pedro Lourtie - A Proliferação dos «Rankings»


Universidade do Porto

UPorto: Um Lugar Entre as 100 Melhores Universidades Europeias em 2011. Relatório 2006


UNESCO-CEPES, CHE University Ranking, Institute for Higher Education Policy, 20 May 2006

Berlin Principles on Ranking of Higher Education Institutions

Saturday, September 01, 2007

Relação Universidade-Indústria

O universitário (parte do texto publicado em 2007 Fevereiro 11):

Este documento foi elaborado na sequência da publicação do projecto de decreto-lei para consulta pública «Agência de Avaliação e Acreditação para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior», em 2007/02/01. Os acontecimentos e anúncios que precederam a publicação, tinham já sido motivo para as maiores apreensões, agora confirmadas pela natureza do projecto de decreto-lei.

As dúvidas são de grande monta. O sector envolvido é crítico para a Nação Portuguesa. Os fundamentos não parecem assentar sobre nenhum conhecimento de alto nível. A estrutura desenvolve-se com enormes falhas éticas e deontológicas, enredada por uma malha ilusória, com a conhecida configuração de uma pirâmide.

Não é fácil confrontar, com tamanhas dúvidas, quem está deslumbrado pelo poder, pelo estatuto de privilégio e prerrogativas de quem governa. Há, no entanto, sempre um momento em que o ludibriado se vê obrigado a encarar a ânsia pelos resultados fáceis e imediatos. Uma reflexão séria, no momento certo, pode ser tudo o que é necessário para evitar tão penosa situação. Nada se ganha em aniquilar o mensageiro.

O projecto, ao mesmo tempo que reconhece o pressuposto da «adesão aos princípios internacionalmente aceites» isola-se no «ensino superior», «na matéria» e na especialização «neste domínio». Sobe depois ao pedestal de DOIS «documentos essenciais de nível europeu», ambos radicados na mesma origem: a ENQA.

A ENQA é uma associação de organismos de várias nacionalidades Europeias, da qual o membro Português é sócio fundador. As actividades das ENQA foram desenvolvidas desde a criação da entidade que a precedeu, em 2000, à revelia da International Standards Organization (ISO), European Committee for Standardization (CEN), European cooperation for Accreditation (EA), International Accreditation Forum (IAF), IQNet Association – The International Certification Network, Entidad Nacional de Acreditación (ENAC) e, em Portugal, do Sistema Português da Qualidade (SPQ), Instituto Português da Qualidade (IPQ), Instituto Português de Acreditação (IPAC), Organismos de Certificação Acreditados (OCA) de Sistemas de Gestão da Qualidade (EN 45012) do Sector de Actividade Económica (EA) Educação, Associação Portuguesa de Certificação (APCER), Certificação de Auditores, Normas Internacionais, Europeias e Portuguesas, Base de Dados Nacional de Sistemas de Gestão Certificados e da legislação em vigor, nomeadamente os Decretos-Lei 125/2004 de 31 de Maio e 140/2004 de 8 de Junho.

Esta ignorância ou arrogância em relação ao Sistema de Gestão da Qualidade é, talvez, mais uma manifestação atávica no ensino superior, contra a qual vêm lutando, ao longo da história da humanidade, todos os que se têm oposto ao privilégio hereditário e à discriminação. A própria designação de «superior» é disso, eventualmente, uma mensagem subliminar, que agora alguns tentam combater com a alternativa de «terciária», esta de efeito oposto. Infelizmente, nada há de superior, nem terciário, na ignorância, no obscurantismo, no comportamento retrógrado e reaccionário.



O empresário (parte da intervenção em Audição Parlamentar de 2007 Julho 09):

Pedro de Almeida, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.

… Não me parece que esta lei deixe ficar muito claro como é que vai funcionar. Foi referido (e nós temos acompanhado várias iniciativas tomadas pelo ministério, pelo ministro, relativamente a este aspecto) na apresentação de uma sessão pública que houve de apresentação de uma agência de qualidade do ensino superior (não sei se se designa exactamente assim), acompanhámos também a apresentação que foi feita de apresentação desta lei, eu pessoalmente tenho acompanhado o debate no Conselho Nacional de Educação e há uma preocupação que louvo, que louvamos, que é a preocupação com a qualidade do ensino superior e a qualidade passa, seguramente, pela integração do ensino superior num sistema de qualidade e o sistema de qualidade tem as suas formas de funcionar a que nós estamos habituados no sector empresarial. Não é claro, para nós, como é que este sistema vai funcionar no caso do ensino superior. Esta lei não diz. Penso que faz alguma confusão entre acreditação e avaliação. Não refere a questão da certificação e a própria forma como esta acreditação, certificação, avaliação é feita, porque entidades e organismos, não é clara, mas esperamos que isso seja matéria que venha a ser esclarecida posteriormente.

Fonte: Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura


Quem é que está de fora da relação universidade-indústria?

Quem não está nem na universidade, nem na indústria.